segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O beltrano! Cada sicrano tem o fulano que merece!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
Uns fulanos só dão o cano,
Outros uns,
são pedidos de uma prece.
Olha que se me aparece um fulano,
Do meu merecimento,
Que não seja ciumento!
Com umas fuças bem ajeitadinhas.
Fico num assanhamento!
Perco toda a linha...

O beltrano!
Entra ano e sai ano,
Eu aqui só esperando...
Alguém que carece de carinho...
Assim como eu tão sozinho...
Pra chamar de amorzinho...
Ah...
O sicrano arrumou um enrosco,
Outro um se ajeitou com um encosto,
Estes dois nasceram um para o outro!
Já eu nem beijinho no rosto!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
O meu Um deve ser  tão assim,
Igualzinho a mim
Que perdeu-se no caminho e
Fim!

Barbara Teodosio

Barbara Teodosio

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


Não leva à sério,
 que fica sem graça.

Não perca a graça,
 que ai fica sério!

Não leva a graça,
 que eu fico sério.

Não fique sério!
 que eu fico sem graça...

Não fique de graça,
 que eu perco o sério.

Não perca o sério!
que eu fico uma graça.

É sério!

Que graça...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Omissiva

Omissiva

Estou no mesmo lugar que você deixou,
jogada debaixo da cama vivendo com monstros,
uma boneca de pano trocada pela nova Barbie!

Lhe esperando como uma criança no portão da escola no primeiro dia de aula.

Presa nas frestas dos tacos no chão.
Sou a mesma,
só estou um pouco empoeirada,
porém, no mesmo lugar que você me encontrou.

Me olha e cuidado!
pode ser que bata um vento forte e me leve
pode ser que alguém me pegue
ou até pode ser que eu fique eternamente no mesmo lugar
como uma tarraxa de brinco perdido,
um botão de blusa caído
ou
 uma moeda antiga sem valor.

Barbara Teodosio

...

...Estas coisas que você ouviu falar não existem criança, mas, se elas existissem eu lhe daria de presente, embrulhado em papel colorido com laço de cetim...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

um tanto quanto nada!

Ter tanto
que o tanto é igual a nada,
e o nada é um tanto quanto conhecido.
Quando os cantos ficam na madrugada
acordando este meu sonho adormecido.
Eu ando e pego um copo d´agua,
banho os olhos e durmo encurvada ,
pois,
é tanto!
Eu não posso fazer nada!

Barbara Teodosio

sábado, 5 de novembro de 2011

Passados  ficam lindos no porta retrato da estante,
outros ficam em gavetas  junto com velhas notas fiscais,
tem passados que merecem uma visita nas férias e feriados.
Mas o gostoso é o presente que toca ao telefone,
mesmo que seja um presente distante.

Barbara Teodosio

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NÃO ME TOQUE!

Porque tanta gentileza ao tratar?
Há grosserias para dizer,
Verdades para jogar e
Mentiras para contar.
Cheio de não me toques.
Pra que tanta pompa?
A porta da rua é a única cortesia!
Para estes verbos inativos,
Palavras redundantes e
Propostas ordinárias.

Barbara Teodosio

domingo, 11 de setembro de 2011

Artesã

Pôs-se a fazer artesanato com seu tempo mais precioso:
Da beleza,
Da descoberta,
Da utopia.
Fiava seu destino,
Como fosse velha,
Como fosse deusa,
Como fosse possível!
As linhas embaraçadas
Iam, vinham, encruzilhavam-se sem oferendas.
Seu momento de espanto encontrou-se com o susto do amor.
Paciência e disciplina na hora de colocar as contas...
Que contas?
Como fosse uma,
Como fosse duas,
Como fosse matemática!
Não tinha dom pra artesã,
Conseqüentemente comprava um destino pronto
na loja das convenções.
Como fosse possível!

terça-feira, 6 de setembro de 2011


A Lombriga e o esfomeado
Estava o menino descalço andando no meio do nada com dores na barriga, ele não sabia o nome daquilo, mas sentia aquilo, parou, agachou-se e de repente saia dele, de dentro pra fora, aquela coisa esguia e comprida reclamando da vida:
Lombriga – Que coisa mais feia, olha o jeito que você me trata, logo eu que te acompanho por todo lugar que você passa, logo eu que sinto as mesmas dores que você. Preciso de alimento, estou com fome, eu sou uma lombriga e desejo comer tudo que vejo, é assim que o povo fala né? Quero um delicioso pão caseiro, um cheiroso feijão, uma paçoca!
Falava com sonhos nos olhos, lambendo seus lábios enexistentes, e o menino se desculpava ali mesmo agachado:
Esfomeado – Desculpa você sabe o quanto eu gosto de você, meu bichim querido, mas acontece que não tem nada pra comer em casa, já pedi pro papai e chorei pra mamãe, mas nada de nada, lá só tem poeira nas gavetas e ar no armário.
A lombriga não se comovia com a lamentação do garoto e continuava a falar:
Lombriga – Eu quero comer, dá um jeito, você consegue dormir, eu fico lá dentro me contorcendo de fome, isto não é vida não, o mundo é injusto mesmo, umas barrigas tão cheias de comida e sem lombriga nenhuma, quero já reforma agrária das sem barriga cheia.
Falava com entusiasmo de um revolucionário, enquanto o esfomeado a olhava apaixonado, ela falava o que ele sentia, falava da fome da injustiça.
Esfomeado – Olha minha lombriguinha eu te deixo partir, vou sentir sua falta, ficar sozinho no mundo com um vazio maior ainda na barriga, mas entendo que você tem que partir, mas lembre-se que eu te amo e sempre te amarei.
Ela o olha com desprezo e sorri com sarcasmo ao se despedir:
Lombriga – amor não enche barriga, nem dá de comer a lombriga...adeus.

Barbara Teodosio

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Moradia da menina que ria...vazia

Iria falhar...
Não, iria falar!
Viria a calhar:
Armar uma lira que mia a sina da menina que ria.
Iria contar...
Não, iria sondar!
Viria a somar.
Ficar em sua fila,
Fria.
Acertar a mira,
Birra!
Brincar de vigia.
Iludia...
Iria estraçalhar todas as medidas,
As fudidas e as ungidas.
Viria matar.
Limpar as feridas.
Amar as punidas.
Catar as apodrecidas.
Seria um pomar.
Uma vila vencida.
A cidade crescida.
Uma casa vazia.
Visita insista em conhecer toda a moradia:
Iludida, fudida,ungida,crescida,punida,apodrecida,vencida,crescida e
Vazia.

Barbara Teodosio


quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Copa do Mundo de Slam 2011



Vídeo que mostra a trajetória da brasileira Roberta Estrela D´alva na 8°copa do mundo de poesia falada onde ela foi premiada em 3° lugar. Algumas boas poesias que são encontradas no vídeo.

...quando termina a noite corpos e cabelos estão emaranhados, os quadris dão uma trégua...

...a voz passeia pela beira em meio a ondas de concreto...

Ela esta sentada
A menos de um quarteirão de distância de mim
Bem na esquina, num tapete sujo de folhas
E pedaços de bambu
Seu sorriso
Me faz imaginar que anjos realmente descem do paraíso
Para iluminar os nossos tristes dias
Com a luz dos seus raios de sol celestiais
Eu choro lágrimas de dor e raiva por ela
Porque sei como ele a rasga e despedaça
Estupro? É a coisa mais distante da mente deste branco doente
Que ama enfiar sua pica em Asiáticas
Eu gostaria de enfiar algo nele como uma faca
Ou até mesmo a idéia de como deve ser
Ter sua dignidade roubada de você como um ladrão na noite
Ouça, talvez eu não estivesse tão puto
Se ele não tivesse comprado os meus serviços também
Logo depois dos dela


...mulher é puta, gay não é gente, o que importa é o dinheiro...


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Iguais



Beijos não têm idade;
Arrepios não vêem beleza;
Atração não pergunta sobrenome;
Excitação não julga aparências;
Tesão não tem endereço;
Carinho não exige diploma;
Paixão não pede currículo.
Na horizontal somos todos iguais,
Primitivos animais!

Barbara Teodosio

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Regra de Gramática: Todo verbo que é conjugado na primeira pessoa do singular dói mais


sábado, 13 de agosto de 2011

Autores: Ferreira Gullar


Ferreira Gullar
Nova Canção do Exílio

Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos


Estranheza do Mundo

Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A outra moça


Em uma manhã de começo de semana a moça como um zumbi se dirigia até o trabalho. Com cabelo mal prendido deixava umas mechas soltas pela face, olhos ainda remelados se espremiam durante o bocejo.
Tinha ares de boa noite mal dormida, soava grave seu “bom dia”, no intervalo contava sobre seu sonho maluco da noite passada interpretando as aparições dos bichos e objetos fálicos.
Olhava esta moça, tão nova e tão viva, imaginava o que ela tinha de especial, porque chamava tanta atenção? Por instantes viajei no tempo e vi a moça, não esta presente, mas a outra moça, a do passado, a moça relâmpago de anos atrás.
Aquela moça que de tão bonita não precisava de meus elogios... Ela andava se olhando... Aquela moça que nunca mais vi nem soube noticias.
Ela ficou congelada em minha lembrança quase que intocável, sei que ela ainda me visita nas noites, sei que ela se encontra em minha memória.
Ah elas não dão a mínima! Estas moças são assim : Ao andar se admirando não reparam nos olhares julgadores dos outros, que as recriminam por ser tão elas: Moças de pé no chão!

Barbara Teodosio

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando eu desanimo com a vida
me animo a inventar histórias...
uma cor,
formas,
som,
odores,
minutos...
só mais uns minutos e já passa...
as horas voam.
os dias fogem.
o mundo muda!
Você trabalha com o que?
Eu não trabalho,
eu brinco com sonhos!
Você trabalha com o que?
Eu não trabalho,
eu brinco com sonhos!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fome de gosto

Que gosto tem isto?
Parece chourisso!
Me dá um pedaço,
uma mordida,
uma lambida?
Tem gosto de quê?
Dá dor de barriga?
É quente?
Deixa a lingua dormente,
amarra a boca da gente?
é pavê! mas eu quero comê

Barbara Teodosio

terça-feira, 26 de julho de 2011

Momentos Parados

Momentos Parados


Dá pra perceber que o tempo passou,
Pelos olhos que perderam a inocência
Pelo sossego que não esta mais.
A desconfiança que paira no ar.
Não tem mais espaço pros bicos,
Nem motivo pra fazer careta!
Cada dia se segue pro fim
Das coisas e dos dias.
Lembrei porque sorri naquele dia
E o porquê da minha cara de brava.
Aquela louca mania de pegar no meu nariz
Aquela estranha obrigação de pegar em seu pé!
São fotos sem fatos,
momentos parados!

sábado, 16 de julho de 2011

Pequenos Contos de: Ana e a Saudade

Ana experimenta saudades todos os dias, em horas diversas, saudade quando acorda de manhã e não é pra ir à escola. Saudade quando chega domingo e não é dia de praia, nem dia de missa, é dia de ensaio e lembra-se das peças passadas e bate uma saudade! Quando sai Ana se lembra da época que andava a pé e comprava salgadinho na farmácia, da época que sair era ficar na fossa de madrugada e ficar na fossa era algo bom. Ana conhece saudade desde pequena quando por sentir falta de alguém parou de comer, hoje Ana sente falta de tanta gente, aquelas pessoas boas de estar perto, fecha os olhos e pensa nos abraços e vê o quanto esta livre, lembra dos sorrisos e percebe o quanto perdeu a graça, sonha com os beijos e nota o quanto anda sem sal. Ah Ana para de ver estas fotos e vá tirar umas novas, pra poder lembrar amanhã e sentir uma saudade!

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Frio:
Muito me arrepia
Pouco me aquece

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Na doença e na saúde

Na doença e na saúde

(ela esta em frente a uma penteadeira antiga, esta de costas e o publico vê seu rosto por meio ao reflexo do espelho, ela passa um batom vermelho nos lábios, se perfuma e o perfume impregna a sala.).


(Jura doce como uma virgem recatada) Prometi fidelidade em pensamento. Entreguei-te meus pertences. Confecei-te minhas taras. Fiz sua comida predileta e pus a mesa sobre aquela toalha branca de renda que pertencia a sua adorada mãe. Jurei amor eterno, puro e belo. Amo-te, Sim, Na doença e na saúde. (repete) na doença e na saúde, na doença e na saúde... (grita como uma louca e traída e feroz) Perdão!

(Confessa como uma vilã de um filme de ação barato) Perdoe-me, mas sim sempre torci pela doença, para atacar-te uma moléstia, para necessitar-te de meus cuidados, para me entregar sua vida, entende assim não precisarias sair de casa, não olharias outras moças nas ruas, não lhe dividiria com o trabalho, não poderias querer e desejar algo que não fosse eu, sua vida em minhas mãos, sua vida seria bem tratada em minhas mãos. Com a doença ele morria para o mundo.

(Admira a beleza do seu amado até chegar ao gozo) Tranquei-te em casa, deixe-te sem comida, ficaste fraco, era tão belo fraco, sua boca seca e branca, adoeceste aos poucos, seus olhos perdendo o brilho, seus lamentos e juras desesperadas por mim, era tão sincero nas súplicas, gozava em meio aos seus gemidos de dor.

(Fofoca como uma velha varrendo a calçada) As visitas eram o único tormento, estavas doente e a presença das outras pessoas poderia te contaminar, por isso não as deixava entrar em nosso quarto, arrumava os lençois brancos de algodão.

(com cuidados de uma mãe amorosa) Suavas frio, e eu quente lhe acomodava entre os travesseiros.Já não reclamavas, já não gritavas, e no último suspiro eu estive presente, fui a última imagem a veres, nosso segundo mais sincero de amor.
 
(Arrependida como uma menina mimada que quebra a maquiagem de sua mãe) Nunca desejei sua morte, mas se este foi preço a pagar por nosso amor sublime. Esta pago.

(Com um tom de tristeza entediada) Mas a vida não tem mais graça, o cheiro começa a empregnar o quarto, e a loucura me bate a porta, bela e livre, bate a porta. E me diz ao pé do ouvido vem, e sinto te trair ao me entregar a ela, por isso escolho a morte.

(Eufórica e compulsiva como um gordo que devora uma torata de chocolate) Morro agora mais ainda um pouco a cada dia, morte de dor da sua partida... Mal digo a doença que antes bem dizia, me culpo pelos dias que por ela torcia, ela que te manteve comigo por muito tempo e o tempo todo, hoje te levou de mim pra um tempo que eu desconhecia. Tem dor, dor sem amor de ter, dor de ver a cama vazia, vazia de você e isso me esvazia. E tomada por essa infecção de falta sua, sem mais ilusão me entrego ao que te foi prometido, amar-te-ei na saúde e na doença na alegria e na tristeza ate que a morte nos eternize dois em um só. Morro pro mundo aonde você não mais esta vou à procura de ti por um caminho desconhecido.
(E ao som de um tango segue seu caminho até que a morte os uma)

Barbara Teodósio e Renata Carvalho inspiradas no universo Rodriguiano.

domingo, 19 de junho de 2011

Há muito pouco sobre o mundo na primeira página.
Os mesmos nomes,
as mesmas notícias.
O que me comove é a menina que se vende nos classificados!
Triste será seu fim nas páginas policias.

Barbara Teodosio

sábado, 18 de junho de 2011

Se as palavras caíssem como luvas pelo menos, aqueceriam.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

...e quando chove penso que Deus esta chorando, e se ele chora isto é bom, 
significa que ainda há misericórdia pra nós!







...ensaio de "Aquela que sonhara ter sido", montagem do grupo Hedonistas da cidade de Birigui...

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Humor

Após um momento de lezera ontem a noite eu e uma colega começamos a criar umas piadinhas com os skinheads e este foi o resultado:

Ele é tão skinhead que comprou um gatinho fofissímo da raça sphynx.
Ele é tão skinhead que não curte hip hop porque ela é dança de rua.
Ele é tão skinhead que foi chamado pra estrelar a propaganda das ceras veet.
Ele é tão skinhead que colocou fogo na lixeira porque ela era lixeira de rua.
Ele é tão skinhead que raspou a cabeça debaixo.
Ele é tão skinhead que matou uma formiguinha queimada porque ela andava com uma joaninha.
Ele é tão skinhead que grafitou no seu quarto um Emo careca.
Ele é tão skinhead que tem um poster do Vin Diesel.
Ele é tão skinhead que quando desconfiou da sua sexualidade começou a se socar, e gostou.
Ele é tão skinhead que após ler estas piadinhas foi chorando atrás de sua mãe e coleguinhas pra me pegar na hora da saída...ih me ferrei!

Se alguém quiser sugerir algo mais,vamos fazer um aplicativo no face depois, e que nenhum skinhead saiba o meu endereço.


Créditos a Nandara Sakamoto que me ajudou com uma (ainda a mais sem graça, mas ela vai ser a mente criadora do aplicativo e é minha maior estimuladora)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

com ímpetos de abraçar quem não se encontra.
De dar cuidados a quem já muito cuidou.
Colocar no colo,
fazer cafune,
limpar o choro.
Fico neste fazer nada,
pois,  não há nada a fazer.
- Se cuide, porque eu te amo!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Luta Antimaniconial

Minha contribuição com a luta antimaniconial ultimamente tem sido não enlouquecer.Sou uma a menos.
Para os hospitais que ganham por “vaga-louco” talvez isto não tenha sido tão bom, pois,
poderia ser um a mais.
Não enlouquecer em um mundo como o nosso não é algo muito normal, e esta conclusão não é nada genial e muito menos original e isto é saudável,porque ser genial e original é um grande sintoma de loucura.
É... dá vontade de rasgar dinheiro quando sabemos que ele compra pessoas.
Dá vontade de sair pelado pela rua quando descobrimos que nossas roupas são feitas por trabalho escravo de crianças.
Dá vontade de bater, melhor matar, os políticos por puro preconceito contra a classe.
Dá vontade de construir um mundo melhor na nossa imaginação e falar com Deus cara a cara como um grande camarada.
Dá vontade de ser Napoleão Bonaparte, Jesus Cristo e o escambau! Só pra deixar de ser a gente.
Pena que a loucura não é algo assim de desejar porque depois de rasgar dinheiro, sair pelado pela rua, bater e matar políticos e ainda trocar uma idéia com Deus, você é trancado, jogado, dopado e fica babando por ai, e vamos combinar babar é tão feio!
Barbara Teodosio

domingo, 15 de maio de 2011

Acenou...
( Excito?
 Invisto?
Hesito?)
tchau...
assim devagar se esvai
toda a possibilidade de um:
- Como vai?

sábado, 7 de maio de 2011

Ela não escrevia mais poesias, o que não era ruim, pois escrevia mal!
Ela fazia uma sopa rala todas às noites de frio pra que não resfriasse.
Nas noites de calor ela dormia nua espalhada por toda a cama, enrolada num lençol.
Todo o dia tinha tarefa, e nos finais de semana ia balançar na praça, pois aqui não tem mar.
Abraçava travesseiros,
Tomava banhos de mangueira,
Sonhava com amigos distantes,
Olhava a lua.
Era assim, como toda pessoa só.

Barbara Teodosio

Ás vezes...

 ...às vezes palha, às vezes aço....
Após um tombo me desfaço!
Virou uma estrela em queda livre.
...Ás vezes baila, ás vezes rima...
Olha o mundo todo por cima!
Logo sabe que irá cair,
...Às vezes um á, às vezes um triz...
Foi chamada de meretriz!
Falas duras em frases sutis.

Barbara Teodosio

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Tem dias em que não esta tudo bem,
mas dizemos que esta,
pra ver se fica.
Ninguém fica quando não esta.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Porque escrever?



Porque escrever?
Porque a minha arte é da palavra, verbo vivo, coisas escritas para serem ditas.
Pelas coisas das quais vejo e muitos desviam o olhar.
Por dar ouvidos aos que não tem voz.
É que as frases ficam matutando aqui dentro, sabe?
Por que meu nariz sangra em dias quentes, minha cabeça dói por conta do barulho, e vomito nos dias de crueldade.
E os fatos teimam em me visitar após os acontecimentos nas madrugadas, nos dias de tédio e no horário de almoço.
É que falo demais! e há tanto pra ser dito:
Como as lembranças daquela vez em que passeava em círculos enquanto minha mãe alucinava ver Deus.
Contar a história da menina órfã que era devolvida como um brinquedo estragado após passar fim de semanas em casas estranhas.
Pra rir da ironia da vida, quando a pessoa que se oferece para segurar teu suco enquanto você pega o dinheiro pra pagar o ônibus não tem um dos braços.
Pra narrar um sonho juvenil de sábados encantados, acreditar no amor verdadeiro e todo este bláblá de sonhos.
Talvez porque não tenha autocrítica, talvez por inveja dos grandes poetas, ou por não ter um diário.
Por ter sido contaminada pelas aulas de filosofia e marxismo.
Escrever ajuda a respirar melhor, abre os poros, elimina as impurezas e preenche aquele vazio.
Porque eu fui alfabetizada e muitos não!

Barbara Teodosio

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Autores: Hilda Hilst

Tô Só

Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.

após assistir a peça "Hilda Hilst, o espirito da coisa" Samadhi Produções
Atriz maravilhosa, cenário incrível e texto feito a partir da vida e obra desta excelente poeta!!!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Felicidade

   No fim da tarde, os últimos raios de sol clareavam as gotas da chuva que rabiscavam linhas coloridas no céu, e lá no alto ouvindo o claro som do nada, ela enchia os pulmões de nuvens doce. 

  Tinha asas nos pés e segurava balões coloridos, mastigava chicletes de beijos meigos, enquanto brincava de esconde-esconde com sonhos infantis.

 Sentia-se plena, simples e feliz.


Barbara Teodosio

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Fotos : Arvores Tortas de um fim de tarde... perdidos.






fotografo: Evans 
motorista: Eu

sábado, 16 de abril de 2011

Autores: Carlos Drumond de Andrade.

...Boa-Tarde (ensaio de bom-noite,variante de bom-dia,que tudo é o vasto dia em seus compartimentos nem sempre respiráveis e todos habitados enfim.)

A Flor e a Náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me'?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas,
alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.

Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas,
consideradas sem ênfase.

Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio,
paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horasda tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.



sábado, 9 de abril de 2011

tempo de tragédia particular

Tirei férias de mim!
Assim que voltei... Sai.
Resolvi pedir demissão.
- Que tal um tempo a sós?
pelo tempo perdido na vida.
Tragédias sempre há, nós as intuímos em nossas visões.
Meses fora do ar.
“Lembranças pelos bons tempos.”
Há tragédias clássicas no jornal,
um dia será nossa vez
e não estaremos na página principal.
Estivemos fora de nós... Por tanto tempo...
Cuidado! O mundo continua igual,
as mesmas histórias,
as mesmas perseguições!
E aqui esta tudo diferente.
A vida anda bem, bem longe...
Passaremos os restos de nossos dias á nos distanciar.
Tragédias são minhas prediletas,
Nesta há um bom vilão, um casal puro, loucura e internação.
O tempo passa, o tempo pesa, o tempo leva.
São só pesadelos durante a noite,
É só a vida durante o dia...
Um dia a vida passa...

domingo, 3 de abril de 2011

Nas curvas da corcunda...

Talvez o peso da incompetência humana esteja em suas costas,
nesta suja carne calejada que se encurva ao ajoelhar-se ao chão.
Não há nada de santo nestes joelhos dobrados.
A dignidade escondida nas sacolas pretas em que caças a sobrevivência de um dia a mais,
não é bela,
nem exemplo.
Ao menos aos ladrões e assassinos resta o nobre ato da ira,
da revolta,
e da luta!
Isto também não é exemplar,
mas incomoda estes cristãos puros das missas aos domingos,
diferente de tu, sujo corcunda, que só limpa a miséria humana de seus restos supérfluos.
Tenho leve paixão pelas marginais ondas do rio querido Brecht!



Barbara Teodosio


"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem" de Bertolt Brecht

domingo, 27 de março de 2011

Meu Humor Anda Variando da Cabeça!

Meu humor anda variando da cabeça!
de uma pra outra
de outra pra uma.
 
É um corpo desconexo,
sem nexos,
com sexos que varia
vacila.
Criar um mundo de contar eras e vez,
De uma vez que era,
Daquela história que fez.
Eras uns universos de possibilidades.
Vez de diversas histórias.
 
Será que existe?
Ou é só imaginação?
 
Seres assim tão fortes, de tantas cabeças, saindo de braços cruzados e pernas marcadas!
Ah...não, é só mais da mesma diversão, desejando a outra vida desencanada
Encantadas com nadas...
A vida é resquício do que meu amigo?
Estais a falar de quais benefícios?

Barbara Teodosio e Jvnivs Cæsar

quinta-feira, 17 de março de 2011

Hoje meu dia foi salvo

Hoje eu pedi aos céus para que algo me tirasse do lugar onde me encontrava, e desejei não sentir coisas tão feias, quis desistir e queimar todos os meus livros.
Não estou acostumada a pedir aos céus, então esperei a sua resposta, sem esperança...
E eis que...
Hoje meu dia foi salvo, e posso sentir o gosto doce destas últimas horas da noite, e esquecer a amargura do horário comercial.
Não me sinto mais cansada do mundo, mas ansiosa por vida.
Não haverá lágrimas ao dormir, no lugar delas, criarei uma bela história me ninando o sono..
E meus dias continuaram sendo salvos:
Enquanto as flores roxas puderem ser colhidas,
Enquanto as palavras erradas puderem ser corrigidas,
Enquanto as pessoas queridas puderem voltar nos feriados,
Enquanto existir reencontro de sorrisos delicados,
Enquanto houver um céu azul adiante e misericordioso.
Agradeço aos santos, super-heróis, aos céus, a Deus, as pessoas de ombros largos.
Obrigada, hoje foi mais um dia salvo!


Barbara Teodosio

quarta-feira, 9 de março de 2011

Autores: Zulmira Ribeiro Tavares

MULHERINHA MULHERANDO


Três coisas nela são frias:
- o dedo dos pés
- a ponta do nariz
- o bico das tetas
...De quente ela traz o hálito
...e ofega.
O que tem de quente
e o que tem de frio
fazem as duas metades da noite.
Ela espanta as dores do mundo
 acende as luzes da cidade.

Zulmira Ribeiro Tavares

sábado, 5 de março de 2011

Conto feminista de uma família real

Conto feminista de uma família real



E o príncipe encantado enfim chegou a torre, após algum tempo no boteco da esquina e em motéis baratos. O seu caráter estava um pouco falho, mas nada que desonrasse sua figura. Em cima da penteadeira da princesa ele viu um bilhete que estava escrito “Volto já, fui ali comprar cigarros...” Ele achou estranho, pois a princesa não costuma fumar, mas como estas mulheres são cheias de inventar moda ele resolveu esperar no sofá enquanto via um jogo de futebol. Ela voltou estava um pouco redonda, mas ele resolveu não comentar, e assim nascia mais uma feliz família real!


Barbara Teodosio

quarta-feira, 2 de março de 2011

Papo de Indio

Lembra do indiozinho abandonado na floresta que era cuidado por animais. Então em um dia comum ele resolveu brincar com as flores e se lambuzou de polén, ficou brilhando, porém a assustadora maribonda ao ver isto falou:


- Você tem piroca ou tem piriquita? o que te disse sobre brincar com as flores e ficar brilhando? isto é coisa de quem tem piriquita! ontem  te vi no banho e você tinha uma piroca, será que ela rachou durante a noite?


O menino não disse nada pois, não sabia usar as palavras e aquele papo de índio havia lhe confundido a cuca. Ele só queria virar flor para que as abelhas pudessem o levar aos poucos até sua colmeia, assim ele poderia se tornar mel e  adoçaria a amargura sua de todo dia.


Texto inspirados em falas reais, em amarguras reais, em frieza real.


Barbara Teodosio

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Conto: As reboladas dos dois mundos...

As reboladas dos dois mundos...



Seus olhos curiosos de criança era o contraposto da sua bunda empinada de adulta, e assim com irreverência no rebolado mostrava sua malícia nas pontuadas batidas da originária música.

Toda molejada formula um pedido: “O que você pode nos ensinar do lugar que você vem?”... (pausa ignorante)... O lugar... Este a qual pertenço, este lugar plaino e quadrado, mostra a clara diferença entre nós duas.

Toda endurecida formulo uma resposta: “Nada.”. Afinal meus conhecimentos apreendidos em livros filosóficos de faz de conta, em nada poderia ser útil na vida daquela menina naquele lugar tão inclinado e redondo.

Ah podemos fazer caras feias pra nos defender dos maus espíritos... Pois estas coisas ruins têm em todos os lugares!
Barbara Teodosio

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Cidade Maravilhosa...com encantos de mil naturezas






quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Conto: Vida passante no lavar das roupas...

Vida passante no lavar das roupas...

Resolverá deixar as roupas sujas. Para pensar um pouco nos anos passados, coisa que não fazia à tempos...Então em um surto revelador deu-se conta da vida passante.

Ali apoiada nas paredes de barro com olhos secos de horizontes, só enxergava o chão preso a seus pés. Seus lábios não sentiam sede, estavam rachados de espera. Sua pele ainda era sensível as dores, as punhaladas dadas ao acaso, só sentia a vida pelos desgostos... Sentiu pena de si...

Lembrou-se das roupas sujas, ali jogadas e fedidas de suor, tinha que terminar de lavá-las, para depois suar em seu trabalho digno e integro de miserável brasileira, e assim poder ganhar sua cesta de fome.

Era um dia quente, assim como todos os dias, perfeito para as roupas secarem, concluiu ela, e parar pra pensar não é algo que caiba mais em sua vida, afinal geladeira vazia cria vazios maiores que os da alma.

Pegou suas roupas desbotadas e as pendurou no varal de arame farpado do quintal realista da pobreza da vida.

 Barbara Teodosio

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Autores: Mario Quintana

Mentiras

Lili vive no mundo do Faz de Conta... Faz de conta que istó é um avião. Zzzzuuu...Depois aterissou em piquê e virou trem. Tuc tuc tuc tuc... entrou pelo túnel, chispando. Mas debaixo da mesa havia bandidos. Pum! Pum! Pum! O trem descarrilou. e o mocinho? Onde é que está o mocinho?  Meu Deus! Onde é que está o mocinho?! No auge da confusão, levaram Lili para a cama, à força. e o trem ficou tristemente derribado no chão, fazendo de conta mesmo que era uma lata de sardinha.

Mario Quintana

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pequenos Contos de: Ana das Mãos Aos Pés

O destino marcou suas mãos, dizia a cigana a Ana, naquele fim de tarde.
Porém os pés, assim pensava Ana, eles eram livres ao acaso.
Decidirá amputar as mãos que cismavam em agarrar as coisas destinadas;
e sair descalça correndo por entre os pedregulhos das possibilidades, calejando sua nova e pura carne.


Barbara Teodosio