domingo, 8 de agosto de 2010

Pequenos Contos de Ana: Primeiro Tombo de Amor

Primeiro Tombo de Amor

Andava tão machucada, seu joelho ralado tinha formado casquinha, ela temia outro tombo.
Contemplava sua bicicleta e o medo foi desaparecendo então veio o desejo de se aventurar, contornar a situação e desvendar seu quarteirão com o vento em seus cabelos soltos.
Porém desta vez foi sozinha, pois não confiava quando lhe diziam que não iriam soltar, recolocou as rodinhas uma atitude covarde, mas aprenderá que covardia às vezes é algo necessário.
Ana sabe que daqui a pouco arrancará as rodinhas, e levará outros tombos, a diferença é que agora Ana sabe.

Pequenos Contos de: Ana à Contar

Ana à Contar

Ana era bela, uma beleza transparente como água pura.
Ana era pequena, porém crescia a cada novo olhar.
Ana encantava com seu sorriso que cismava em teimar que a vida é alegria.
Ana desencantava ao falar verdades em voz alta. Ana era uma menina se tornando mulher, um pouco perdida e desiludida, mas que sonha e batalha no dia-a-dia.

domingo, 1 de agosto de 2010

PEÇA: Como me tornei bruta flor

Hoje foi um otimo domingo graças a esta maravilhosa peça,com bom texto, boas atrizes, cenas lindas, é bom assistir boa arte, é inspirador, eis alguns trechos do texto:



Sim, já abandonamos e abandonados fomos...
Cada posição tem seu encanto...
Digo do abandono, esse jogo gangorra de desdobramentos onde revezamos papéis...
O amor tem dessas coisas!
Tudo tão intenso e inesgotável... até que acaba...


Me liga!
mesmo para me dizer as piores coisas, para me falar de desamor, mas me liga!
Me faz sentir presente na tua vida que começa a ficar distante e a nos tornar ocasionais...
O tempo se reduz ao telefone que não toca
trazendo a tua presença que se esvai da minha vida...



Te amar me fazia companhia...te amar me botava pra dormir todas as noites e me acariciavam o coração doído...



Que morram as julietas e se afoguem as ofélias, que sarem as cassandras que há dentro de mim...Que brotem helenas, que insurjam amantes, muitas e pulsantes, de tempos distantes, me fazendo sorrir...

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Autores: Leminski

Eu Queria Tanto

eu queria tanto
ser um poeta maldito
a massa sofrendo
enquanto eu profundo medito

eu queria tanto
ser um poeta social
rosto queimado
pelo hálito das multidões

em vez
olha eu aqui
pondo sal
nesta sopa rala
que mal vai dar para dois

A Lua no Cinema


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
a história de uma estrela
que não tinha namorado.

Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
que até hoje a lua insiste:
— Amanheça, por favor!

Dança da Chuva


Senhorita chuva
Me concede a honra
Desta contra dança
E vamos sair por estes campos
O som desta chuva
Que cai sobre o teclado



Eu
quando olho nos olhos
sei quando uma pessoa
está por dentro
ou está por fora

quem esta por fora
não segura
um olhar que demora

de dentro do meu centro
este poema me olha.

Leminski é o cara, o que ele consegue fazer com as palavras...quem derá uma dia serei marginal, e deixarei de pertencer a estes mediocres!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Autores:Bruna Lombardi

ANARQUIA

Sei que depois sinto remorsos
de ser tão estupidamente mal criada
de falar tanto e ser tão atirada
uma largata tamborila nervosa
seus pesinhos em cima da mesa
me desculpe
todos os dias prometo
hei de ser mais indefesa
mais contida. Quieta como uma japonesa.
Mas de repente esta coisa desfraldada
desbocada, destemida,que eu sei
que te incomoda
explode inteira cor-de-rosa
perigosamente sulferina.
Qualquer pequena luz
pra mim é festa e me ilumina.

ALTA TENSÂO


eu gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
das bebidas mais fortes
e tenho
apetites vorazes
uns rapazes
que vejo
passar
eu sonho
os delírios mais soltos
e os gestos mais loucos
que há
e sinto
uns desejos vulgares
navegar por uns mares
de lá
você pode me empurrar pro precipício
não me importo com isso
eu adoro voar.

INTERJEIÇÃO


Qual é a atitude
que você está tomando, moço?
Que grito você está dando
que eu não ouço?
Que é que está adiantando
falar grosso?
Que laçõ, que fita, que farsa
que nó é esse amarrado
no pescoço?
Moço, que palhaçada, que festa
é essa? Que luz
se nos taparam o sol?
Que é que resta, que é que presta
como é que se pode nadar
no meio de tanto anzol?
E quando a corrida começa
todo mundo disparado
pisando em quem tropeça

Moço, que incongruência
um sorriso numa hora dessa

"...Bom comportamento nunca foi meu ponto forte. Minhas contradições se digladiam, Sobrevivo de um instinto que me empurra para lugares onde moças não iriam... Sou tantas, e a cada dia uma. Quero da vida todas e mais algumas, Ir fundo em todas essas personagens."

Lendo estas poesias dela, consegui me ler um pouco. Esta mulher além de bela, intensamente bela.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Em busca da poesia mal interpretada...

Fingi,
sem pretensão de ser espetacular.
Fingi,
sem medo de ser caricato.
Fingi por hábito.

Disfarçamos um rir, risos seduziram-nos!
Em meio aos flashs distraídos ficamos em uma pose escultural.
E nossa labuta sublime virou simples trato operário.
Ficamos a fazer.

Sorrindo só teremos o fingir e nos mascaramos com um pingo vermelho no nariz!
Chorando só fazemos um mentir de dores existenciais de um personagem inexistente!

E juramos vida eterna a esta arte,
e morreremos por amor arte!

E mesmo depois de morrer, continua-se a sentir.
Não deixarás de sentir, a menos... Que te joguem as imbecilidades das massas.
Mesmo assim transformaremos as tolices em algo ilustre, só para rir das banalidades, só pra chorarmos de algo maior que toda esta mediocridade.
Iremos nos convidar a experimentar por sobre tudo isto, sem simular!

Retomamos a verdade não existente de nossa fé cênica e profana.
E nossa responsabilidade de senti-la é tanta (oh verdade) - tanto que às vezes (ou sempre) até dói!
E doer já não é um mal, nesta nova interpretação:
É sentir a vida gritar contra toda a morte,
É sentir a morte lhe dizer torturas vãs.
É pedir permissão à vida pra expressa-la em salas.
É perder-se em salas vazias de dores emprestadas,
E toma-las como se fossem prozac e fluoxetina de máscaras clássicas.


Barbara Teodosio e Jvnivs Cæsar

terça-feira, 29 de junho de 2010

Minha natureza após...

Permito correr riscos só pra te alcançar.
Engulo migalhas em paralelepípedos preto e branco.
Canso, durmo e revivo em meio a palavras inexpressivas.
Após tantas secas, a poeira há de levantar!

Leio a distância posta em nosso encontro.
Contemplo a beleza estática deste caminhar.
Sinto reticências que silenciam o beijo.
Após tantos ventos, as árvores hão de inclinar!

Troco truques baratos por garantias vãs.
Blefo ter coringas em um jogo roubado.
Vicio em perder repetidas vezes por prazer.
Após tantas chuvas, algo há de florescer!

Tropeço em desejos estúpidos de querer romances trágicos.
Busco um rumo desvairado para chegar à terra perdida,
em corpos nunca dantes navegados.
Após tantas ressacas, ás águas hão de acalmar!

Barbara Teodosio

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Quando rimar for necessário

Ando por dias ruins.
Tanto que resolvi rimar.
Sentindo a maldade e os afins.
Incomodada demais pra relevar.

Esta difícil  manter a autenticidade.
Meus moinhos de ventos ficaram reais.
Aqui na Terra tem muita crueldade.
Deixarei as ilusões em varrais.

Sinto coisas e estou a pedir colo.
Talvez esteja na hora de divergir.
Procuro consolo e me embolo.
Neste repetido sentir.

Sentir talvez seje meu mal.
Nesta altura de vida adulta.
Esta na hora de comer do sal.
Olho ao redor e só vejo filhos da ...!

Barbara Teodosio

Não baixarei o nível em minhas poesias, não sempre,por hoje é o mínimo, agora que escrevi talvez consiga dormir em paz! mas estou aprendendo a dormir de olhos abertos! Por favor alguém feche meus olhos e me faça sonhar!!!

sábado, 12 de junho de 2010

Os olhos

Cansada pesam.
Apaixonada  cegam.
Dopada desbotam.
Raivosa envermelham.
Medrosa esbugalham.
Amada brilham.
Humilhada  se rebaixam.
Sorrindo se espremem.
Chorando chovem.
Dormindo fecham.
Na luz chocam.
Na insônia afundam.
Pintados falseiam-se de borboletas.
Olhando buscam o incomum, destes meus olhos entediados de banalidades.

Barbara Teodosio

Sons...

Sons soltos se cruzam e formam um tom,
e de tom em tom compõem uma nova melodia.
O silêncio no canto deixa espaço para o pensar.
O agudo da voz vem me cortar.
Contar:
Agora é silêncio, a música se foi.
Compomos algo inútil e sem sentidos.
Gostava tanto de seus gritos, gemidos e sussuros.
Agora é só meu barulho, e este não forma canção,
não entorpece,
nem me tira pra dançar.

Barbara Teodosio