quinta-feira, 22 de abril de 2010

Conhecido desconhecido

Conhecido desconhecido...

Após tanta ação, tantos discursos, tudo isto.
Não me percebeu!
Não assistiu minhas cenas as improvisações.
Não escutou a música doce dos meus beijos...O som forte do desejo.
Não conseguiu apreciar a escultura única e imperfeita de minhas formas.
Não reparou
Como pôde ser tão insensível?
Ou um tapado ou um canalha?
Não conheci!

Adoraria ouvir suas histórias...
Mesmo aquelas que se repetem a cada nova mocinha.
Adoraria namorar seu personagem clichê, e com ele fazer uma comédia romântica.
Eu palhaço você farsante e os absurdos destinos!
Adoraria não me importar e ir a sua casa hoje à noite...
Conceder-te aquela dança da chuva.

Seu personagem é mistério...incógnita.
Distorcendo as palavras e significados.
Formando um som agudo que dá gastura, que corta.
Seu blues me diz tchau em deboche!
O meu papel é previsível e clássico...
A princesa que constrói castelos.
O Pierrô que faz graça para sua Colombina.
E acabo num monólogo deprimente e fatigante.

Querendo seus olhos vazios e calmos.
Desejando suas mãos posta a minhas.
Guardo estas imagens em retratos:
Sentados num chão qualquer ou escada,
Aquele toque que tentava aquecer meus braços de madrugada,
Em sua cama deitados olhando em silêncio,
Sua imagem em arte, tocando aquele rock psicodélico.

E no fim o que fica? um the end comum.
Desculpe-me nossa história foi sem emoção.
Não será um sucesso popular nem ganhará milhões em bilheterias.
Não terá importância no mundo, só no meu que é da lua.
Já no seu,
Não sei.
Meu conhecido desconhecido.

Barbara Teodosio.

1 comentários:

Tiago Junqueira disse...

Pelo menos esse romance Zinho fajuto serviu pra alguma coisa, a poesia ficou linda...

Postar um comentário