segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O beltrano! Cada sicrano tem o fulano que merece!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
Uns fulanos só dão o cano,
Outros uns,
são pedidos de uma prece.
Olha que se me aparece um fulano,
Do meu merecimento,
Que não seja ciumento!
Com umas fuças bem ajeitadinhas.
Fico num assanhamento!
Perco toda a linha...

O beltrano!
Entra ano e sai ano,
Eu aqui só esperando...
Alguém que carece de carinho...
Assim como eu tão sozinho...
Pra chamar de amorzinho...
Ah...
O sicrano arrumou um enrosco,
Outro um se ajeitou com um encosto,
Estes dois nasceram um para o outro!
Já eu nem beijinho no rosto!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
O meu Um deve ser  tão assim,
Igualzinho a mim
Que perdeu-se no caminho e
Fim!

Barbara Teodosio

Barbara Teodosio

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


Não leva à sério,
 que fica sem graça.

Não perca a graça,
 que ai fica sério!

Não leva a graça,
 que eu fico sério.

Não fique sério!
 que eu fico sem graça...

Não fique de graça,
 que eu perco o sério.

Não perca o sério!
que eu fico uma graça.

É sério!

Que graça...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Omissiva

Omissiva

Estou no mesmo lugar que você deixou,
jogada debaixo da cama vivendo com monstros,
uma boneca de pano trocada pela nova Barbie!

Lhe esperando como uma criança no portão da escola no primeiro dia de aula.

Presa nas frestas dos tacos no chão.
Sou a mesma,
só estou um pouco empoeirada,
porém, no mesmo lugar que você me encontrou.

Me olha e cuidado!
pode ser que bata um vento forte e me leve
pode ser que alguém me pegue
ou até pode ser que eu fique eternamente no mesmo lugar
como uma tarraxa de brinco perdido,
um botão de blusa caído
ou
 uma moeda antiga sem valor.

Barbara Teodosio

...

...Estas coisas que você ouviu falar não existem criança, mas, se elas existissem eu lhe daria de presente, embrulhado em papel colorido com laço de cetim...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

um tanto quanto nada!

Ter tanto
que o tanto é igual a nada,
e o nada é um tanto quanto conhecido.
Quando os cantos ficam na madrugada
acordando este meu sonho adormecido.
Eu ando e pego um copo d´agua,
banho os olhos e durmo encurvada ,
pois,
é tanto!
Eu não posso fazer nada!

Barbara Teodosio

sábado, 5 de novembro de 2011

Passados  ficam lindos no porta retrato da estante,
outros ficam em gavetas  junto com velhas notas fiscais,
tem passados que merecem uma visita nas férias e feriados.
Mas o gostoso é o presente que toca ao telefone,
mesmo que seja um presente distante.

Barbara Teodosio

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NÃO ME TOQUE!

Porque tanta gentileza ao tratar?
Há grosserias para dizer,
Verdades para jogar e
Mentiras para contar.
Cheio de não me toques.
Pra que tanta pompa?
A porta da rua é a única cortesia!
Para estes verbos inativos,
Palavras redundantes e
Propostas ordinárias.

Barbara Teodosio

domingo, 11 de setembro de 2011

Artesã

Pôs-se a fazer artesanato com seu tempo mais precioso:
Da beleza,
Da descoberta,
Da utopia.
Fiava seu destino,
Como fosse velha,
Como fosse deusa,
Como fosse possível!
As linhas embaraçadas
Iam, vinham, encruzilhavam-se sem oferendas.
Seu momento de espanto encontrou-se com o susto do amor.
Paciência e disciplina na hora de colocar as contas...
Que contas?
Como fosse uma,
Como fosse duas,
Como fosse matemática!
Não tinha dom pra artesã,
Conseqüentemente comprava um destino pronto
na loja das convenções.
Como fosse possível!

terça-feira, 6 de setembro de 2011


A Lombriga e o esfomeado
Estava o menino descalço andando no meio do nada com dores na barriga, ele não sabia o nome daquilo, mas sentia aquilo, parou, agachou-se e de repente saia dele, de dentro pra fora, aquela coisa esguia e comprida reclamando da vida:
Lombriga – Que coisa mais feia, olha o jeito que você me trata, logo eu que te acompanho por todo lugar que você passa, logo eu que sinto as mesmas dores que você. Preciso de alimento, estou com fome, eu sou uma lombriga e desejo comer tudo que vejo, é assim que o povo fala né? Quero um delicioso pão caseiro, um cheiroso feijão, uma paçoca!
Falava com sonhos nos olhos, lambendo seus lábios enexistentes, e o menino se desculpava ali mesmo agachado:
Esfomeado – Desculpa você sabe o quanto eu gosto de você, meu bichim querido, mas acontece que não tem nada pra comer em casa, já pedi pro papai e chorei pra mamãe, mas nada de nada, lá só tem poeira nas gavetas e ar no armário.
A lombriga não se comovia com a lamentação do garoto e continuava a falar:
Lombriga – Eu quero comer, dá um jeito, você consegue dormir, eu fico lá dentro me contorcendo de fome, isto não é vida não, o mundo é injusto mesmo, umas barrigas tão cheias de comida e sem lombriga nenhuma, quero já reforma agrária das sem barriga cheia.
Falava com entusiasmo de um revolucionário, enquanto o esfomeado a olhava apaixonado, ela falava o que ele sentia, falava da fome da injustiça.
Esfomeado – Olha minha lombriguinha eu te deixo partir, vou sentir sua falta, ficar sozinho no mundo com um vazio maior ainda na barriga, mas entendo que você tem que partir, mas lembre-se que eu te amo e sempre te amarei.
Ela o olha com desprezo e sorri com sarcasmo ao se despedir:
Lombriga – amor não enche barriga, nem dá de comer a lombriga...adeus.

Barbara Teodosio

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Moradia da menina que ria...vazia

Iria falhar...
Não, iria falar!
Viria a calhar:
Armar uma lira que mia a sina da menina que ria.
Iria contar...
Não, iria sondar!
Viria a somar.
Ficar em sua fila,
Fria.
Acertar a mira,
Birra!
Brincar de vigia.
Iludia...
Iria estraçalhar todas as medidas,
As fudidas e as ungidas.
Viria matar.
Limpar as feridas.
Amar as punidas.
Catar as apodrecidas.
Seria um pomar.
Uma vila vencida.
A cidade crescida.
Uma casa vazia.
Visita insista em conhecer toda a moradia:
Iludida, fudida,ungida,crescida,punida,apodrecida,vencida,crescida e
Vazia.

Barbara Teodosio