quinta-feira, 5 de abril de 2012

O que o retrovisor uniu a seta há de separar


Tarde vazia pede uns DVDs, feriado pede estrada, após encher o tanque vem um sms com boas novas, som nas alturas e sinal fechado. Olhar para o retrovisor, olhos no retrovisor, sinal fechado, olhares no retrovisor, sorriso no retrovisor, sinal fechado, seta ligada, olhar, sorriso, sinal aberto... Ele vira, ela segue, ele acena, ela percebe sua seta ligada indicando o caminho errado. AAAaaaHHH imundice de seta.
...Triste final é aquele que não existiu...

quarta-feira, 28 de março de 2012

Ana e seu TOC


Ana estava atrasada, este é seu terrível defeito feminino, pega a bolsa e sai às pressas prendendo o cabelo com uma caneta.
Tem aquela sensação de haver esquecido alguma coisa, volta à casa, desliga as luzes, confere o gás e tranca a porta virando a chave duas vezes.
 Enquanto segue o caminho para o trabalho sem pisar nas linhas da calçada, imagina ... ele abrindo a porta com seu cigarro entre os dedos e a casa, os móveis, o insuportável vídeo game,TUDO INDO PELOS ARES.

OBJETO

O toque lhe desperta :
TRIMMMM!
Desperta Dor

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sinto Muito


Já estava feito!
No começo não tinha pretensão nenhuma, mas com o passar do tempo tornou-se algo tão sublime que ela não soube como lidar, então veio o impulso de arremessar o presente contra a parede.
... Ela nunca soube lidar com o presente...
Sentiu o poder de jogar tudo fora em suas mãos e não recuou, após o ato recolhia com toda a calma do mundo os cacos do chão, pensou que alguém poderia se machucar e esta culpa ela não queria carregar, vidros quebrados tem formas pontiagudas tão bonitas e o sangue é quente e pulsa pra fora do corpo ardentemente como os arrepios que dão na coluna ao sentir os espíritos.
...Ela arrepiava toda vez que os mortos apareciam para lhe visitar...
Era um vidro de perfume de outra época, antigo, pertencia à outra pessoa, sua avó, aquela que lhe batia com a ponta da colher de pau toda vez que ela sujava a roupa ao brincar com os meninos da rua.
...Desde sempre os meninos gostavam de brincar com suas partes...
O perfume tinha um nome engraçado “Saudade” o seu cheiro doce inebriava o quarto a ponto de sufocar, lembrava da dificuldade em respirar toda vez que sua avó passava o perfume pelos pulsos, calcanhares e nuca para ficar a janela esperando seu avô chegar.
... Saudade a sufocava a ponto de desmaiar...
Era um presente que seu avô havia enviado da Europa quando foi servir o exército na Segunda Guerra Mundial, ela pegava um caixote e ficava do lado da sua avó esperando, até que a falta de ar fosse tanta, que desmaiava no colo da velha que a colocava na cama para sonhar.
...Seu avô vinha lhe beijar a testa todas as noites...
Ela não conheceu seus pais pessoalmente, mas não fazia mal porque Seu avô lhe dava doces após a missa comprados na venda do Seu Zé, doce de abóbora era o melhor, vermelho assim como o sangue que saia de seu pulso e inundava o chão, doce como a presença da morte.
...A morte é uma velha conhecida sua...
O pai tinha morrido do coração meses antes de fugir com sua mãe que morrera no parto, coisa que sua avó dizia ser bem feito, afinal sua mãe era mulher leviana e mal exemplo a criança.
...Os pais sempre vinham lhe puxar as pernas...
Ao entrar naquele quarto para pegar as roupas pra avó que estava morta no hospital, viu uma carta na primeira gaveta da cômoda que seu avô contava do suicídio que iria cometer na frente de batalha no canto do frasco do perfume havia um bilhete escrito “Sinto Muito”.
...Sentir muito era um velho hábito do avô...
Em seu ultimo suspiro ali no chão, junto aos cacos do frasco, as palavras da carta e ao cheiro sufocante da saudade ela esperava pelo avô e seus beijos na testa e via a imagem da sua avó vindo lhe buscar com uma colher de pau nas mãos.

Barbara Teodosio

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O beltrano! Cada sicrano tem o fulano que merece!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
Uns fulanos só dão o cano,
Outros uns,
são pedidos de uma prece.
Olha que se me aparece um fulano,
Do meu merecimento,
Que não seja ciumento!
Com umas fuças bem ajeitadinhas.
Fico num assanhamento!
Perco toda a linha...

O beltrano!
Entra ano e sai ano,
Eu aqui só esperando...
Alguém que carece de carinho...
Assim como eu tão sozinho...
Pra chamar de amorzinho...
Ah...
O sicrano arrumou um enrosco,
Outro um se ajeitou com um encosto,
Estes dois nasceram um para o outro!
Já eu nem beijinho no rosto!

O beltrano!
Cada sicrano tem o fulano que merece!
O meu Um deve ser  tão assim,
Igualzinho a mim
Que perdeu-se no caminho e
Fim!

Barbara Teodosio

Barbara Teodosio

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


Não leva à sério,
 que fica sem graça.

Não perca a graça,
 que ai fica sério!

Não leva a graça,
 que eu fico sério.

Não fique sério!
 que eu fico sem graça...

Não fique de graça,
 que eu perco o sério.

Não perca o sério!
que eu fico uma graça.

É sério!

Que graça...

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Omissiva

Omissiva

Estou no mesmo lugar que você deixou,
jogada debaixo da cama vivendo com monstros,
uma boneca de pano trocada pela nova Barbie!

Lhe esperando como uma criança no portão da escola no primeiro dia de aula.

Presa nas frestas dos tacos no chão.
Sou a mesma,
só estou um pouco empoeirada,
porém, no mesmo lugar que você me encontrou.

Me olha e cuidado!
pode ser que bata um vento forte e me leve
pode ser que alguém me pegue
ou até pode ser que eu fique eternamente no mesmo lugar
como uma tarraxa de brinco perdido,
um botão de blusa caído
ou
 uma moeda antiga sem valor.

Barbara Teodosio

...

...Estas coisas que você ouviu falar não existem criança, mas, se elas existissem eu lhe daria de presente, embrulhado em papel colorido com laço de cetim...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

um tanto quanto nada!

Ter tanto
que o tanto é igual a nada,
e o nada é um tanto quanto conhecido.
Quando os cantos ficam na madrugada
acordando este meu sonho adormecido.
Eu ando e pego um copo d´agua,
banho os olhos e durmo encurvada ,
pois,
é tanto!
Eu não posso fazer nada!

Barbara Teodosio

sábado, 5 de novembro de 2011

Passados  ficam lindos no porta retrato da estante,
outros ficam em gavetas  junto com velhas notas fiscais,
tem passados que merecem uma visita nas férias e feriados.
Mas o gostoso é o presente que toca ao telefone,
mesmo que seja um presente distante.

Barbara Teodosio