segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Iguais



Beijos não têm idade;
Arrepios não vêem beleza;
Atração não pergunta sobrenome;
Excitação não julga aparências;
Tesão não tem endereço;
Carinho não exige diploma;
Paixão não pede currículo.
Na horizontal somos todos iguais,
Primitivos animais!

Barbara Teodosio

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Regra de Gramática: Todo verbo que é conjugado na primeira pessoa do singular dói mais


sábado, 13 de agosto de 2011

Autores: Ferreira Gullar


Ferreira Gullar
Nova Canção do Exílio

Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos


Estranheza do Mundo

Olho a árvore e indago:
está aí para quê?
O mundo é sem sentido
quanto mais vasto é.
Esta pedra esta folha
este mar sem tamanho
fecham-se em si, me
repelem.
Pervago em um mundo estranho.
Mas em meio à estranheza
do mundo, descubro
uma nova beleza
com que me deslumbro:
é teu doce sorriso
é tua pele macia
são teus olhos brilhando
é essa tua alegria.
Olho a árvore e já
não pergunto "para quê"?
A estranheza do mundo
se dissipa em você.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A outra moça


Em uma manhã de começo de semana a moça como um zumbi se dirigia até o trabalho. Com cabelo mal prendido deixava umas mechas soltas pela face, olhos ainda remelados se espremiam durante o bocejo.
Tinha ares de boa noite mal dormida, soava grave seu “bom dia”, no intervalo contava sobre seu sonho maluco da noite passada interpretando as aparições dos bichos e objetos fálicos.
Olhava esta moça, tão nova e tão viva, imaginava o que ela tinha de especial, porque chamava tanta atenção? Por instantes viajei no tempo e vi a moça, não esta presente, mas a outra moça, a do passado, a moça relâmpago de anos atrás.
Aquela moça que de tão bonita não precisava de meus elogios... Ela andava se olhando... Aquela moça que nunca mais vi nem soube noticias.
Ela ficou congelada em minha lembrança quase que intocável, sei que ela ainda me visita nas noites, sei que ela se encontra em minha memória.
Ah elas não dão a mínima! Estas moças são assim : Ao andar se admirando não reparam nos olhares julgadores dos outros, que as recriminam por ser tão elas: Moças de pé no chão!

Barbara Teodosio

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Quando eu desanimo com a vida
me animo a inventar histórias...
uma cor,
formas,
som,
odores,
minutos...
só mais uns minutos e já passa...
as horas voam.
os dias fogem.
o mundo muda!
Você trabalha com o que?
Eu não trabalho,
eu brinco com sonhos!
Você trabalha com o que?
Eu não trabalho,
eu brinco com sonhos!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Fome de gosto

Que gosto tem isto?
Parece chourisso!
Me dá um pedaço,
uma mordida,
uma lambida?
Tem gosto de quê?
Dá dor de barriga?
É quente?
Deixa a lingua dormente,
amarra a boca da gente?
é pavê! mas eu quero comê

Barbara Teodosio

terça-feira, 26 de julho de 2011

Momentos Parados

Momentos Parados


Dá pra perceber que o tempo passou,
Pelos olhos que perderam a inocência
Pelo sossego que não esta mais.
A desconfiança que paira no ar.
Não tem mais espaço pros bicos,
Nem motivo pra fazer careta!
Cada dia se segue pro fim
Das coisas e dos dias.
Lembrei porque sorri naquele dia
E o porquê da minha cara de brava.
Aquela louca mania de pegar no meu nariz
Aquela estranha obrigação de pegar em seu pé!
São fotos sem fatos,
momentos parados!

sábado, 16 de julho de 2011

Pequenos Contos de: Ana e a Saudade

Ana experimenta saudades todos os dias, em horas diversas, saudade quando acorda de manhã e não é pra ir à escola. Saudade quando chega domingo e não é dia de praia, nem dia de missa, é dia de ensaio e lembra-se das peças passadas e bate uma saudade! Quando sai Ana se lembra da época que andava a pé e comprava salgadinho na farmácia, da época que sair era ficar na fossa de madrugada e ficar na fossa era algo bom. Ana conhece saudade desde pequena quando por sentir falta de alguém parou de comer, hoje Ana sente falta de tanta gente, aquelas pessoas boas de estar perto, fecha os olhos e pensa nos abraços e vê o quanto esta livre, lembra dos sorrisos e percebe o quanto perdeu a graça, sonha com os beijos e nota o quanto anda sem sal. Ah Ana para de ver estas fotos e vá tirar umas novas, pra poder lembrar amanhã e sentir uma saudade!